Aplicativos auxiliam pequenos produtores no interior do Ceará

Duas experiências, que nasceram nos campi Crato e Tianguá do IFCE, possibilitam a utilização de ferramentas tecnológicas no fomento à agricultura familiar. Os apps atuam como uma ponte entre agricultores e consumidores.

30/12/19 – 11h13

Projetos desenvolvidos no interior do Ceará fizeram o conhecimento atravessar os muros da universidade para impactar diretamente na vida de pequenos produtores. Duas iniciativas protagonizadas por estudantes dos campi de Tianguá e Crato, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), possibilitaram a criação de aplicativos (apps) usados no comércio local de produtos oriundos da agricultura familiar.

O Agromais foi planejado com o objetivo de ser uma ponte entre produtores e consumidores. A ferramenta surgiu a partir de uma disciplina do curso de Bacharelado em Sistema de Informação, no Campus do Crato, diante da necessidade de criar uma espécie de “classificado digital” para facilitar a comercialização da produção familiar durante a Feira de Animais do Crato, evento que reúne, semanalmente, produtores rurais da região.

“De um modo simplificado, o aplicativo funciona com três perfis. Um é do administrador, que é a própria Prefeitura. Este perfil cadastra e gerencia os anúncios. O outro perfil é do feirante, que pode fazer seu autocadastro mas só consegue anunciar o que a Prefeitura libera; e temos o perfil do visitante, sem necessidade de se cadastrar e com acesso a todos os anúncios”, explica o professor Robson Feitosa, tutor do Agromais.

Utilização

Talita Alves, produtora de geleia orgânica feita a partir de alimentos adquiridos na agricultura familiar, foi a primeira a ter seus produtos expostos no catálogo. É no celular de Charles Silva, esposo da empreendedora, que ele está instalado. “O aplicativo é bem intuitivo, simples de ser usado e o designer é todo moderno”, relata Charles. “Quando você acessa, existe o catálogo com o produto e uma breve descrição”. O casal divulga seus produtos na Feirinha de Orgânicos, que ocorre aos sábados, no Centro do Crato.

Por estar em desenvolvimento e com expectativas de receber melhorias, Charles acredita que a incorporação de alguns instrumentos pode deixar a ferramenta mais atrativa. “A dificuldade é que o espaço para descrever os produtos é muito pequeno. Outra coisa é que a gente só pode colocar uma imagem do produto por vez e isso dificulta um pouco”, avalia  Charles Silva.

Serra da Ibiapaba

Em Tianguá, a necessidade de criar uma ferramenta economicamente viável aos pequenos agricultores surgiu a partir da Instrução Normativa Conjunta 02/2018, que tornou obrigatória a rastreabilidade de hortifrútis. Neste cenário, os estudantes João Ipolito e Marcelo Meneses Lima, do curso de Ciência da Computação, desenvolveram o QrHFruit. O app facilita a rotulagem e rastreabilidade de produtos hortifrutigranjeiros.

Quatro vezes mais barato do que o serviço disponibilizado em valor de mercado, o aplicativo é uma solução mais viável aos pequenos agricultores familiares que precisam se adequar à nova regra. “Muitos pequenos produtores têm nos procurado para explicar como funciona o aplicativo”, pontua Clemilton Ferreira, professor do IFCE Tianguá.

Segundo ele, o preço de mercado para a geração do código de rastreio custa em torno de R$ 600 por mês. No caso do QrHFruit, este valor chega a R$ 150. O valor serve, apenas, para manter o banco de dados do app ativo e ajudar na manutenção da ferramenta.

Por meio do aplicativo, os produtores familiares podem gerar etiquetas adesivas de rastreio de forma automática, facilitando o trabalho de rotulagem dos alimentos a custo mais baixo. “O aplicativo é de fácil manuseio e ainda tem a opção de ser usado por meio de impressão via Bluetooth, sem necessidade de internet”, ressalta Clemilton Ferreira.

Além disso, o consumidor final pode saber todo o percurso do produto.

“O propósito do QrHFruit é ajudar na comunidade. Muitos agricultores não têm condições de pagar e nós tivemos que fazer isso para solucionar o problema deles”, relata Marcelo Meneses Lima, estudante que ajudou a desenvolver o projeto.

 

Diário do Nordeste

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