Turquia pretende enviar soldados à Líbia

Parlamento em Ancara votará em janeiro a iniciativa anunciada pelo presidente Erdogan. Tropas se colocariam ao lado do governo interino da Líbia, o GAN, contra forças apoiadas por Rússia e Egito.

27/12/19 – 11h11

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anunciou nesta quinta-feira (26/12) que o Parlamento nacional votará em janeiro a autorização para o envio de tropas à Líbia, em apoio ao interino Governo do Acordo Nacional (GAN) líbio, que enfrenta as forças do marechal Khalifa Haftar.

“Vou enviar tropas? Vamos aonde somos chamados, não iremos sem convite. Mas, agora, com o convite, aceitaremos”, disse Erdogan durante reunião de seu partido, o conservador-islâmico Justiça e Desenvolvimento (AKP), transmitida ao vivo pela emissora NTV.

“Vamos apresentar a moção para o envio de soldados à Líbia quando recomeçarem os trabalhos do Parlamento”, em 7 de janeiro, completou. Assim, “poderemos responder favoravelmente à convocação de ajuda militar do governo líbio legítimo”.

Erdogan reforçou que a Turquia apoiará “por todos os meios o governo de Trípoli, que resiste a um general golpista apoiado pelos países árabes e europeus” – numa referência ao homem forte do Leste líbio, Khalifa Haftar.

Haftar conta com apoio do Egito, Emirados Árabes e Rússia. A Organização das Nações Unidas (ONU) considera que tanto o general quanto o governo de Trípoli estão recebendo carregamentos de armas que violam o embargo existente.

O Parlamento turco aprovou no sábado último um acordo de cooperação militar e de segurança, assinado com o GAN em 27 de novembro, durante visita a Istambul do primeiro-ministro líbio, Fayez al-Sarraj. O pacto permite às duas partes se enviarem mutuamente pessoal militar e policial para missões de treino e formação, indicaram fontes turcas.

Assim como Catar, a Turquia é um dos poucos países que apoia ativamente o GAN. A fim de obter autorização para destacar forças para combate na Líbia, Ancara precisa aprovar no Parlamento um mandato diferente, como acontece todos os anos para o envio de militares ao Iraque e à Síria.

Como o AKP e seu aliado, o Partido do Movimento Nacionalista (MHP), detêm maioria no Parlamento, a aprovação de um carregamento militar seria uma formalidade – embora a oposição tenha criticado a política externa do presidente. Erdogan abordará também a situação da Líbia com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, numa reunião marcada para 8 de janeiro, em Ancara.

 

Deutsche Welle

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