Por assinaturas, Aliança busca igrejas, polícia e Exército

Segundo a advogada Karina Kufa, uma das responsáveis pela criação do Aliança, o TSE ainda estuda a possibilidade de implementar algum tipo de coleta digital, mas ainda não há definição sobre um mecanismo que garanta segurança, que pode atrasar o processo.

20/12/19 – 08h49

Depois de apostar – e desistir – da coleta digital de apoio para a criação do Aliança pelo Brasil, aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) agora se articulam com igrejas evangélicas, entidades de classe de policiais militares, Exército e bombeiros para reunir as cerca de 492 mil assinaturas exigidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a homologação de nova agremiação. E dizem apostar em um método mais rápido de coleta física de apoios.

O advogado Luiz Felipe Belmonte, segundo-vice presidente da Aliança, disse ao jornal O Estado de S. Paulo que a aposta agora é levar o eleitor a reconhecer firma, para que a ficha física de apoio à criação do partido seja reconhecida com mais agilidade pelos cartórios eleitorais. A conferência de assinaturas é atualmente uma das fases mais demoradas do processo de homologação de uma legenda – e discrepâncias entre a rubrica dada na ficha de apoio e aquela que consta no título de eleitor leva à anulação de vários apoios coletados.

Foi essa dificuldade que impediu a Rede Sustentabilidade, partido de Marina Silva, de participar das eleições de 2014. A Aliança precisa ser homologada até 4 de abril para poder concorrer nas eleições municipais de 2020. “A ideia é levar o eleitor para reconhecer firma após o preenchimento da ficha, o que agilizaria o processo no TSE”, disse a deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP).

“Temos entidades ligadas a grupos militares que envolvem 900 mil pessoas, sendo que estrutura militar é muito hierarquizada e capilarizada. É um comando e as coisas são atendidas. O Corpo de Bombeiros está em todos os municípios”, afirmou Belmonte. Ele salienta que a maioria dos militares não tem filiação partidária o que faz deles um público-alvo desejado, já que não é necessária a desfiliação para que o TSE compute o apoio deles à criação da Aliança.

“Contamos com apoio de igrejas evangélicas, católicas e vamos atuar em áreas mais econômicas, com a região da Bolsa de Valores. O mercado financeiro está empolgado com o Bolsonaro”, disse Zambelli.

De acordo com a advogada Karina Kufa, uma das responsáveis pela criação do Aliança, o TSE ainda estuda a possibilidade de implementar algum tipo de coleta digital, mas ainda não há definição sobre um mecanismo que garanta segurança, que pode atrasar o processo. Se houver necessidade de contratar uma empresa privada, por exemplo, seria preciso fazer licitação. “Vamos começar no dia 20 a coletar (assinaturas) no meio físico. Não dá para ficar esperando a regulamentação do TSE”, afirmou. O tribunal entra em recesso na Quinta-feira.

Doação

Representantes da Aliança dizem ter conseguido uma doação do custo de 1 milhão de assinaturas eletrônicas – cada uma custa cerca de R$ 200 – para viabilizar a legenda, mas a frente de coleta digital é hoje a possibilidade mais remota. Embora o TSE tenha dito, no início do mês, que é possível registrar apoio dessa maneira, esse método não foi regulamentado.

“Já recebemos a doação de 1 milhão de assinaturas eletrônicas gratuitas e já tem outro grupo oferecendo 500 mil. O custo para nós será zero. O eleitor teria que fazer apenas o registro da assinatura eletrônica e já no mesmo ato o apoiamento. Empresas da área de certificação eletrônica têm interesse em fazer a divulgação do trabalho deles. Mas não estamos contando com isso” disse Belmonte.

 

O Estado de S. Paulo

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