Comércio aposta em análise de dados para ampliar vendas no CE

Empresas do varejo utilizam ferramentas tecnológicas para conhecer o perfil dos clientes. Tanto nos meios físicos e virtuais, o objetivo é oferecer atendimento personalizado na jornada de compra dos canais.

31/10/19 – 10h24

Com mais ferramentas tecnológicas à disposição, o varejo tem apostado na coleta de dados dos consumidores para oferecer vendas direcionadas. O grande trunfo veio com a Indústria 4.0 e, também, com o Big Data – sistema que possibilita a digitalização de informações e comunicação direta entre sistemas, produtos e pessoas. No Estado, empresas passaram a atuar nos canais físicos e digitais para atender o público.

Há 25 anos no mercado, a marca cearense de óculos viu as vendas crescerem cerca de 50% no e-commerce, no ano passado, frente ao desempenho de 2017.

“Há dois anos, investimos em uma plataforma digital bem estruturada. A gente sabe dessa importância de estar presente no ambiente digital. Cerca de 80% dos nossos consumidores pesquisam preços pela internet antes de realizar uma compra. Decidimos oferecer frete ou a retirada do produto na loja. E isso também traz experiências inovadoras com a marca”, diz Allan Sankey, sócio da Ferrovia.

Além de atuar no e-commerce, Sankey afirma que a empresa também apostou em análise de dados para oferecer aos clientes uma experiência personalizada. “Temos uma plataforma paga que gera relatórios sobre o público, dados de vendas, qual produto rende mais vendas, gasto médio. Fora isso, também contamos com o Google Analytics, que faz planilha sobre os consumidores, incluindo localização, comportamento, perfil econômico e, principalmente, por onde ele encontrou nosso site”, acrescenta.

As redes sociais também são uma porta de entrada para facilitar a comunicação entre a loja e o cliente. “Temos também uma pessoa responsável para saber o impacto das nossas performances das redes sociais, então estamos presentes em tudo. Por isso, buscamos chamar a atenção do consumidor, que já é bombardeado por todas as mídias, tanto online como offline”, avalia o sócio da empresa.

Tendências

Na opinião de Sandro Stanckzick, diretor da FH, empresa que realiza consultoria e oferece softwares corporativos, as companhias estão vivenciando um momento de adaptação na unificação dos canais virtuais e físicos.

“As empresas estão procurando fazer com que o cliente tenha a mesma experiência (com a marca) no meio digital e no meio físico. A mesma coisa que ele vê no e-commerce, encontrará na loja física, o mesmo nível de preço, de atendimento, estoque de produtos. Esse processo de unificar os canais tem ajudado muito no processo de experiência do cliente”, comenta.

Além disso, Stanckzick avalia que, através de tecnologias voltadas para entender o perfil dos consumidores, mesmo com informações não estruturadas, é possível elevar as vendas dos produtos. “Nós temos empresas que implementaram as nossas soluções e, já no primeiro ano, tiveram aumento de estoque, de oportunidades de vendas, de mais de 30%. Além de negócios voltados para a área do e-commerce, que tiveram retorno financeiro de 40% após a implementação de tecnologias para captação do perfil do cliente”, aponta.

O diretor argumenta que a oferta direcionada é mais atraente para o consumidor. “Quando você começa a fazer ofertas com um produto mais focado, ao invés de enviar opções que o consumidor não tem interesse, cresce o ticket médio, aumenta o número de clientes fidelizados”, aponta.

E os empresários cearenses ainda precisam se aprofundar nessa questão, segundo o professor de Marketing da Faculdade CDL, Bruno Leitão. “Você vê poucas empresas cearenses utilizando ciências de dados para saber as experiências de compra e então poder transformar isso em resultados. Aqui, isso ainda é meio novo”, afirma o professor.

Tecnologia

Ansano Baccelli, diretor executivo da Accenture, multinacional de consultoria de gestão e tecnologia da informação, argumenta que ter informações sólidas sobre o perfil do consumidor final ou de parceiros é fundamental para que as empresas possam oferecer o produto certo.

“É comum ver empresas que não têm a análise correta dos dados. Elas não conhecem de fato o consumidor final ou outras firmas com as quais se podem realizar serviços. É uma tendência mudar esse cenário, porque isso permite saber quem está comprando seu produto ou mudar sua estratégia de marketing para impulsionar o negócio”, explica.

De acordo com o diretor, a utilização de softwares e outras ferramentas tecnológicas são indispensáveis para manter a competitividade dos negócios. “A tecnologia, hoje, pode ajudar a ganhar mercado, controlando estoques e dinamizando tudo. E principalmente automatizar parte do trabalho, fazendo com que as pessoas se liberem para funções mais analíticas. Hoje, desde aumentar receita até reduzir custos, não dá para falar disso sem passar por tecnologia”, aponta Baccelli.

 

Diário do Nordeste

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