Querosene produzido com energia solar promete revolução

O primeiro reator que produz combustível com luz solar, água e dióxido de carbono funciona nas proximidades de Madri. Alternativa pode revolucionar setor da aviação ao diminuir emissões que causam mudanças climáticas.

09/09/19 – 10h46

Em uma iniciativa pioneira, na zona industrial de Móstoles, perto de Madri, na Espanha, fica o primeiro reator do mundo a produzir querosene usando energia solar. O projeto chamado Sun-to-liquid é uma iniciativa de pesquisadores da Espanha, Alemanha, Suíça, Holanda e Eslovênia, com financiamento de recursos da União Europeia. Seu objetivo é a produção de combustível sem emissões de CO2, usando menos espaço e recursos que, por exemplo, o bioquerosene.

O querosene é um combustível usado em aviões e é particularmente poluente. Já existem diversos projetos que buscam um caminho para a produção de querosene sintético, ou seja, sem petróleo.

Durante o voo, as variantes de querosene produzidas sinteticamente não geram, porém, menos poluentes do que o combustível originário do petróleo. A diferença está no processo de produção.

O engenheiro químico Manuel Romero, diretor da usina, explica que, para a produção de bioquerosene, “florestas são desmatadas para a plantação da matéria-prima. Além disso, há a explosão no preço dos alimentos devido à grande demanda por certas plantas”.

Para o processo Sun-to-liquid, são necessários apenas luz solar, água e dióxido de carbono (CO2). Se o CO2 utilizado for extraído previamente do ar, os poluentes produzidos pela queima do combustível podem posteriormente ser compensados. Assim, o combustível torna-se neutro em carbono.

As modernas tecnologias à disposição atualmente ainda não permitem movimentar aviões e navios usando energia elétrica porque eles são muito pesados. As baterias necessárias seriam enormes e pesadas. Por isso, ainda não há como abandonar combustíveis como o querosene. Diante desse cenário, o querosene neutro em carbono se tornou interessante até mesmo para pesquisadores do Japão e da Croácia, que visitaram a inovadora usina na Espanha.

Como funciona

Mais de 160 espelhos direcionam a luz do sol ao reator, que foi construído numa torre de 20 metros de altura. A câmara do reator é aquecida a cerca de 1500 °C – uma temperatura sem precedentes. Com a ajuda de um catalisador, é produzido então um gás sintético a partir de água e do CO2 extraído do ar.

Especialistas da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO, na sigla em inglês) estimam que a demanda de querosene até o ano de 2050 aumente seis vezes, chegando a 860 milhões de toneladas por ano. Ao mesmo tempo, cresce a pressão política no comportamento de consumo geral como medida para tentar conter o aquecimento global.

 

Deutsche Welle

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