Terapia com realidade virtual é utilizada na reabilitação de pacientes

Método inovador implantado no Hospital Regional do Sertão Central ajuda na recuperação de pacientes, com recursos tecnológicos. A chamada “imersão 3D” permite que pessoas em tratamento viajem virtualmente.

19/07/19 – 09h40

Da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) às pirâmides do Egito. A viagem não estava nos planos da agricultora Roseane Ferreira, internada no Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), mas foi possível com a ajuda da tecnologia. Em apenas três minutos, viajou milhares de quilômetros para conhecer o país milenar.

Essa experiência virtual, chamada de imersão 3D, tem sido um “medicamento” complementar aplicado pela equipe multiprofissional da Unidade de Cuidados Especiais (UCE) em pacientes tratados no complexo hospital estadual. “Eu jamais imaginava ter uma experiência dessas, tão legal, principalmente dentro de um hospital. Quando coloquei aqueles óculos estranhos, não fazia ideia do que ia ver, mas me deparei com camelos, as pirâmides, o deserto”, comemorou Roseane.

A moradora do Assentamento Terra Livre, a 15 quilômetros de Canindé, se refere aos óculos especiais, adaptados a um celular, com os quais é possível ver imagens em 360 graus de vários lugares. É através dos óculos que os pacientes interagem com estímulos visuais e auditivos, em um espaço criado digitalmente.

O engenheiro clínico do HRSC, Marcelo Acioli, foi o idealizador do novo modelo de tratamento, iniciado em maio. Hoje, a terapia integra o Projeto Reviver, em que são utilizados cuidados médicos complementares. Seis pacientes já tiveram a oportunidade da imersão em 3D.

Outros, como o agricultor Antônio Romário Vieira, aguardam ansiosos. Ele está internado há 26 dias, com uma infecção na corrente sanguínea. “Viajar do sertão para o mar”. Essa é a expectativa de Romário. Ele mora na localidade de Passagem, na zona rural de Quixeramobim. “Nunca vi o mar. A praia que quero conhecer fica aqui mesmo no Ceará, Canoa Quebrada. O pessoal fala que lá é muito bonito. Espero um dia poder realizar esse sonho, mas se aqui é possível viajar assim, será maravilhoso também conhecer Paris. Já vi várias vezes na televisão a Torre Eiffel. Deve ser uma cidade muito bonita, onde se revive grandes amores”, afirmou Romário.

Projeto Reviver

“O Projeto Reviver é uma terapia criada aqui no hospital para trabalhar o cuidado humanizado ao paciente. Desta forma, percebemos que podemos ir além, oferecendo qualidade para o tratamento do paciente durante o seu internamento, contribuindo, assim, com resultados positivos clinicamente”, explicou o médico Leonardo Miranda Macêdo. Ele é o coordenador da Unidade de Cuidados Especiais (UCE) do HRSC, onde o novo modelo de terapia está sendo desenvolvido.

Mestranda em Tecnologia e Informação na Unifor, a enfermeira Ticiane Santana, que integra a equipe do projeto, conta que a terapia virtual começou a ser idealizada após o desabafo de um paciente. “Ele disse: ‘Não aguento mais ficar aqui. A gente não tem nada para fazer’. Isso nos sensibilizou”, disse, ao considerar que a imersão 3D torna o ambiente hospitalar mais agradável.

“Através do lúdico, o adoecimento pode ser enfrentado de maneira menos dolorosa. A hospitalização passa a ser vivenciada de forma mais humanizada, permitindo ao paciente estar mais próximo do contexto no qual vivia antes da internação”, pondera a terapeuta ocupacional Jamila Gaspar.

A inovação, no entanto, tem algumas ressalvas, conforme explicam os médicos. A terapia virtual não é adequada para quem tem labirintite, tontura e fobia. Por isso, para vivenciar a experiência virtual, o paciente é avaliado pela equipe do Reviver. Antes da implantação, houve um estudo multidisciplinar para atestar os benefícios ao paciente.

 

Diário do Nordeste

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