Huawei: como medidas do Google afetam usuários dos smartphones da gigante chinesa

Quando o Google lançar a próxima versão do Android, ainda este ano, muitos aplicativos podem não estar mais disponíveis para aparelhos da marca chinesa Huawei. E os novos Huawei muito provavelmente não terão acesso a serviços populares do Google, como o YouTube e o Maps.

21/05/19 – 10h38

O Google decidiu restringir o acesso da Huawei a algumas atualizações do sistema operacional Android depois que o governo Donald Trump incluiu a gigante chinesa em uma lista de empresas com as quais as companhias americanas não podem negociar, a menos que tenham uma licença.

Ao anunciar a decisão, o Google disse que estava “cumprindo a ordem e revendo as implicações”.

A Huawei, por sua vez, diz que vai continuar oferecendo atualizações de segurança e serviços pós-vendas para todos os produtos existentes para smartphones e tablets Huawei e Honor, tanto para os aparelhos que já foram vendidos ou ainda estão em estoque global.

“Continuaremos a construir um ecossistema de software seguro e sustentável, a fim de fornecer a melhor experiência para todos os usuários globalmente”, assegurou.

Em uma coletiva de imprensa, representantes do governo chinês disseram que a China “apoia a empresa para defender seus direitos legítimos de acordo com a lei”.

A medida, contudo, tem sido encarada por especialistas como um duro golpe para os negócios da companhia chinesa, ao menos num curto prazo, e em especial fora da China.

Ben Wood, da consultoria CCS Insight, afirma que a iniciativa do Google vai ter “grandes implicações para os negócios da Huawei”.

mulher olha telefone da Huawei
Empresa chinesa garante que vai continuar oferencedo atualizações de segurança e serviços pós-venda aos consumidores

A empresa chinesa continuará a ter acesso à versão do sistema operacional Android disponível através da licença de código aberto que é gratuita para qualquer um que deseje usá-la.

Mas, de acordo com a fonte da agência de notícia Reuters – a primeira a divulgar a decisão do Google -, a Huawei não terá mais suporte técnico e não contará com colaboração para serviços do Android e do Google.

Por ora, quem já é usuário da Huawei ainda pode atualizar aplicativos e fazer correções de segurança, bem como atualizar os serviços do Google Play. Os próximos lançamentos e atualizações é que devem ficar comprometidos.

O que a Huawei pode fazer?

Na última quarta, o Departamento de Comércio dos EUA incluiu a Huawei Technologies e filiadas numa espécie de “lista negra”.

Na prática, os EUA proibiram a gigante das telecomunicações chinesa de comprar peças e componentes de empresas americanas sem a aprovação do governo americano.

“A gente já estava se preparando para isso”, disse o executivo-chefe da Huawei, Ren Zhengfei, numa entrevista à imprensa japonesa, na primeira declaração depois que a empresa entrou para a lista do governo americano.

Zhengfei disse que a empresa, que compra cerca de US$ 67 bilhões em componentes a cada ano segundo o jornal de negócios Nikkei, vai avançar no desenvolvimento de suas próprias peças.

A Huawei enfrenta ainda uma reação crescente dos países ocidentais, liderados pelos EUA, sobre os possíveis riscos representados pelo uso de seus produtos nas redes 5G, a quinta geração de redes móveis.

Muitos países demonstraram preocupação com a possibilidade de equipamentos da Huawei estarem sendo usados pela China para vigilância, o que a empresa nega com veemência.

A Huawei se defende dizendo não representar nenhuma ameaça e que é independente do governo chinês.

No entanto, há países que já proibiram empresas de telecomunicações de usarem produtos da Huawei em redes de 5G como, por exemplo, Austrália e Nova Zelândia.

“A Huawei tem trabalhado duro para desenvolver sua própria galeria de apps e outros softwares de forma semelhante com que trabalhou com soluções como os chipsets (conjunto de circuitos integrados que fazem computadores funcionar). Não há dúvida de que esses esforços fazem parte do desejo de controlar seu próprio destino”, disse o consultor Ben Wood.

O que isso tem a ver com a guerra comercial entre China e EUA?

Essa última investida contra a chinesa Huawei eleva a tensão entre a empresa e os EUA.

A companhia já enfrenta mais de 20 acusações criminais apresentadas por autoridades americanas. Washington também tenta a extradição da executiva da Huawei Meng Wangzou, presa em dezembro no Canadá a pedido de autoridades americanas.

As tensões comerciais entre os EUA e a China também parecem estar aumentando.

As duas maiores economias do mundo têm travado uma feroz batalha comercial desde o ano passado. China e EUA passaram a impor tarifas em produtos uns dos outros.

No início do mês, os EUA mais que dobraram as taxas sobre as importações de produtos chineses. Os americanos elevaram, de 10% para 25%, as tarifas sobre a compra de certos produtos chineses, com valor atual de US$ 200 bilhões (R$ 791,4 bilhões). A China contra-atacou, aumentando também para 25% tarifas de mais de 5 mil produtos importados dos EUA.

A medida surpreendeu muita gente e abalou mercados globais já que se acreditava que a guerra comercial entre as duas potências estava perto do fim.

Essa disputa comercial entre EUA e China tem criado incerteza para empresas e consumidores.

BBC News

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