Coleta especial de lixo ultrapassa limites e vira rotina em Fortaleza

Criada para sanar demandas do descarte irregular, a retirada de lixo das ruas chegou a 1.796.564 toneladas de materiais nos últimos três anos em Fortaleza. O total representa apenas 34.412 toneladas a menos que a coleta domiciliar

19/03/19 – 09h50

No meio do caminho, o cenário é a rotina: vias lotadas de carros, barra que oscila anunciando as chegadas e partidas do trem, calçada de começo e fim marcados por lixo, muito lixo. A paisagem no entorno da Av. Dr. Theberge é semelhante em muitos outros locais de Fortaleza, como as avenidas Osório de Paiva, Domingos Olímpio, José Bastos e Bezerra de Menezes.

Em algumas comunidades, a população explica o acúmulo de lixo em vias pelo fato de os caminhões não conseguirem adentrar em vias estreitas para a coleta. É esse acesso restrito que os leva a carregarem seus materiais para descarte até canteiros centrais de avenidas próximas – ou quaisquer locais que sejam convenientes. Como forma de complementar a limpeza urbana e amenizar consequências do lixo descartado em locais indevidos, foi criada em 2006 a coleta especial.

Três vezes por semana, caçambas percorrem os pontos mais conhecidos pelo acúmulo de dejetos, como a Avenida Leste-Oeste. A coleta corretiva tomou, porém, proporções maiores que o esperado. “Na verdade, se criou um monstro. Estamos custeando uma irregularidade, que tem dois aspectos. Ela pode se originar de uma pessoa física, como é o caso de quem descarta nas avenidas, ou de algumas empresas que se aproveitam da coleta urbana para jogar seu lixo na rua e não pagar. Acontece com restaurantes, bares, construtoras de menor porte”, detalha Albert Gradvohl, coordenador especial de Limpeza Urbana da Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (SCSP). Apesar de a quantidade de pontos de descarte irregular terem diminuído em cerca de 40%, conforme o coordenador especial, a coleta especial recolheu um total de 1.796.564 toneladas (t) de lixo nos últimos três anos, de acordo com a SCSP.

Aumento

De 2016 para 2017, a quantidade de material recolhido diminuiu em 149.835 t. O número voltou a subir, porém, de 2017 para 2018, quando foi registrado um aumento de 13.841 t. A preocupação cresce em comparação às quantidades da coleta domiciliar: no mesmo período, o serviço que contempla os descartes regulares recolheu 1.830.976 toneladas, 34.412 a mais que a especial.

“A coleta domiciliar é uma coleta feita ‘porta a porta’, realizada por caminhões compactadores da concessionária da Ecofor. É para domicílios, só recolhe de casas e prédios residenciais”, explica Gradvohl.

Já os 55 Ecopontos disponíveis na Capital são recomendados para o descarte de pequenas proporções de entulho, restos de poda e móveis velhos, materiais comuns em pontos de descarte irregular. Também são concedidos benefícios do Programa Recicla Fortaleza, que gera desconto na conta de energia pela troca de resíduos recicláveis.

Ações para inibir o descarte de resíduos em áreas não autorizadas, como canteiros, calçadas e terrenos públicos e particulares são conduzidas pela Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis).

Os focos da fiscalização são voltados para a identificação dos grandes geradores de resíduos sólidos que não adotam o procedimento adequado com o lixo que produzem; a apreensão de veículos que forem flagrados realizando irregularmente o transporte e despejo dos resíduos em áreas não permitidas; e a identificação e autuação de proprietários de terrenos particulares cujos imóveis estejam sendo usados como depósito de lixo, detritos e similares.

Em 2019, foram realizadas 482 fiscalizações e 189 autuações em situações de irregularidades relacionadas a resíduos sólidos. Já em 2018, foram 1.065 fiscalizações e 976 autuações.

 

Com informações do Diário do Nordeste

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