Neonazistas são suspeitos de ameaças de bomba na Alemanha

Mais de cem e-mails com ameaças foram enviados a políticos, jornalistas, figuras públicas e instituições em todo o país. Investigadores veem conexão entre as correspondências, assinadas com terminologias neonazistas.

15/03/19 – 08h33

Um neonazista ou um grupo neonazista é responsável por uma série de ameaças de bomba em toda a Alemanha, segundo reportagens do jornal Süddeutsche Zeitung e da emissora pública NDR divulgadas nesta quarta-feira (13/03). Mais de cem e-mails com ameaças foram enviados a políticos, jornalistas, figuras públicas e instituições estatais do país desde o final de 2018.

Duas das ameaças de bomba foram feitas no início desta semana contra a estação central de trem da cidade de Lübeck, no norte da Alemanha, e contra o departamento de Finanças da cidade de Gelsenkirchen, no oeste do país. As ameaças levaram à evacuação dos edifícios, mas nenhuma bomba foi encontrada.

Investigadores afirmaram acreditar que exista uma conexão entre os e-mails anônimos, após identificarem similaridades no estilo de escrita e nos alvos. Ainda não está claro se as ameaças estão sendo emitidas por um único indivíduo ou por um grupo – os e-mails foram enviados de contas diferentes.

As correspondências foram assinadas com terminologias neonazistas – por exemplo, “Ofensiva Nacional-Socialista”, “Wehrmacht” ou “NSU 2.0” –  uma referência ao grupo terrorista neonazista alemão Clandestinidade Nacional-Socialista, ativo na década de 2000 e responsável pelo assassinato de nove comerciantes de origem estrangeira e uma policial.

Em um e-mail enviado à deputada Martina Renner, do partido A Esquerda, o remetente afirmou estar por trás das ameaças de bomba. No texto, o autor ameaçou bombardear bancos, estações ferroviárias e instituições estatais em toda a Alemanha. O remetente também ameaçou enviar cartas-bomba e executar cidadãos nas ruas, mencionando fuzis de assalto, pistolas e armas biológicas.

Outros e-mails foram enviados a políticos, jornalistas, advogados, instituições públicas, figuras proeminentes e ao Conselho Central de Judeus. Entre os destinatários famosos está a cantora Helene Fischer, que condenou publicamente os tumultos causados pela extrema direita em Chemnitz no ano passado.

Ainda de acordo com os investigadores, nenhuma bomba foi encontrada até o momento – todas as ameaças “permaneceram virtuais”.

Em agosto passado, Seda Basay-Yildiz – advogada de origem turca que vive em Frankfurt – recebeu um fax assinado com “NSU 2.0”, no qual o remetente ameaçou matar sua filha de dois anos. Basay-Yildiz representou as famílias de algumas das vítimas dos atentados da NSU.

Em dezembro, o Departamento Estadual de Investigações do estado de Hessen abriu uma investigação sobre uma suposta rede extremista de direita dentro da força policial de Frankfurt.

 

Com informações da Deutsche Welle (agência de notícias Alemã)

Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *