50 famílias estão em abrigos por decorrência das chuvas

No Cuca Jangurussu estão 26 famílias que desalojadas, outras 24 foram colocadas em uma escola no Conjunto João Paulo II

14/03/19 – 11h10

Março ainda vai fechar a primeira metade e a Capital já registrou, nos 13 primeiros dias, 210 milímetros (mm) de chuva. O número representa 54,2% da média histórica, que é de 324 mm. Entre as 7 horas da manhã de terça-feira, 12, e o mesmo horário de ontem, as precipitações ocorreram em 100 municípios do Ceará; em Fortaleza foram 26 mm nesse intervalo, segundo a Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme). Para hoje, a previsão é de céu nublado, com possibilidade de chuva em todo o Estado. A esta altura do segundo mês da quadra chuvosa, 50 famílias estão desalojadas na Cidade, sendo acolhidas em dois abrigos, nos bairros Jangurussu e Barroso.

A maior parte dessas famílias chegou aos abrigos localizados no Cuca Jangurussu e em uma escola municipal no Conjunto João Paulo II, no Barroso, com as chuvas dos últimos dois domingos, 3 e 10. Renato Lima, coordenador das Secretarias Regionais e integrante do Comitê de Ações da Quadra Chuvosa – composto por diversas entidades, entre poder público e organizações não governamentais – relata que, no último domingo, havia 32 famílias desalojadas na Capital e a Prefeitura reduziu para 25.

”Estabelecemos, no plano de contingência, a mudança de famílias para áreas seguras e a retirada de seus pertences”, informa. No abrigo provisório, a Prefeitura distribui lonas, colchonetes, cesta básica e refeições diárias. Também recolhe e separa roupas vindas de doação. Ainda de acordo com Lima, outras ações possibilitaram menor gravidade da situação dos atingidos, como a construção da barragem do Rio Cocó pelo Governo do Estado. Outra ação mitigadora dos problemas evidenciados pelas chuvas é a construção de galerias pluviais e a limpeza desses locais já existentes.

Ele avisa que, até julho, uma obra deve envolver 66 comunidades, com trabalhos de drenagem e pavimentação em vários pontos da Capital. Jangurussu e bairros vizinhos devem ser contemplados com a iniciativa. O financiamento total do Programa de Infraestrutura em Educação e Saneamento de Fortaleza (Proinfra) é de 500 milhões de dólares – 250 milhões por contrapartida da Prefeitura de Fortaleza, 150 milhões do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e 100 milhões da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).

Hoje entre os desalojados, Esmeralda Fernandes, 52, conta que despertou na madrugada de domingo, 10, com os pertences sendo carregados pela água. “A chuva entrou de uma vez e acordei num susto. A água batia no meio da minha canela”. Perdeu móveis, TV e colchões. A água carregou também o entusiasmo: “Eu era uma pessoa tão alegre, você precisava ter visto”. Socorro Sousa, 48, está no Cuca há oito dias. A empregada doméstica mora no Conjunto Palmeiras e não tem perspectiva de voltar para casa: “Perdi tudo. A água levou num minuto o que eu levei a vida pra ter”.

Cristiano Férrer, coordenador executivo da Defesa Civil, afirma que a entidade realiza visitas para verificar a situação das residências. Ele recomenda que as pessoas só saiam de casa para um abrigo quando o domicílio não tiver condições de segurança. “A família tem que permanecer em casa, a não ser que a casa não tenha condições de uso. Nesse caso, damos suporte às famílias de pessoas desalojadas, até o retorno delas às residências”, afirma.

 

Com informações do O Povo Online

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